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terça-feira, abril 13, 2004

Terrorismo. 

Não pretendo ser maniqueísta quanto à questão do terrorismo. Analisar tão complexo fenómeno, implica mais do que trivialidades. Não obstante, a crónica que segue (publicada no "Expresso" pelo JAL, tantas vezes criticado...), a meu ver e apesar de não ser uma opinião inédita, merece ser alvo de reflexão.



Certas pessoas – de Mário Soares ao bispo de Leiria, passando por Carlos Carvalhas – insistem em dizer que não pode atacar-se o terrorismo sem procurar perceber as suas causas.
E adiantam, como causas do terrorismo, a miséria, as más condições de vida, a exclusão social.
Sem invocar o argumento de que «tentar perceber» é um passo para «justificar», é preciso dizer que essa ideia é falsa.
O terrorismo não se alimenta da miséria – como a ETA prova, como o IRA prova, como o Baader-Meinhof prova, como as Brigadas Vermelhas provam.
Nenhuma destas organizações era formada por pessoas miseráveis ou vivendo em ambientes degradados – pelo contrário, formavam-nas pessoas oriundas às vezes das classes altas, que se auto-excluiram da sociedade.
E auto excluíram-se porquê?
Por razões ideológicas ou religiosas.
Ao contrário do que às vezes se diz, as motivações de natureza religiosa e ideológica revelam-se muito mais fortes do que as razões materiais (além de que têm um «fundamento» consagrado numa cartilha, o que lhes dá uma «justificação» acrescida).
Não insistamos, pois, na tecla da miséria.
Quanto à já famosa questão da negociação com os terroristas, recordo um episódio ocorrido em 1969 ou 70, aquando de um dos primeiros desvios de aviões por terroristas.
Alarmadas, as autoridades do país em que o avião fez escala queriam negociar com os autores do desvio.
Mas os especialistas em terrorismo, chamados para auxiliar as autoridades do país em causa, foram irredutíveis: qualquer negociação só iria ter como consequência aumentar exponencialmente os desvios de aviões.
Se os terroristas percebessem que conseguiam os seus intentos desviando aviões, os desvios nunca mais parariam.
Assim, os peritos só admitiam uma saída: a rendição sem condições.
Esta história mostra a única atitude possível perante o terrorismo.
Querer perceber-lhe as «causas» e as «motivações», além de ser tempo perdido, só pode contribuir para desculpar os terroristas e os estimular.




terça-feira, março 09, 2004

Diz quem sabe... 

Jornal Zambeze, coluna «Diagnosticando Moçambique» – por Yá-qub Sibindy*

26.02.2004



A ESTRATÉGIA OCULTA DE JOAQUIM CHISSANO



As fábricas, universidade, hospitais eram geridos a partir de conhecimentos científicos adquiridos nas zonas libertadas, Nachingweia e nas famosas experiências dos dez anos de guerra contra o colonialismo português. Aconselharam a Samora Machel a tomar decisões que chamaram de «salto qualitativo», quer dizer, da economia colonial devia saltar para economia socialista. O socialismo científico é a consequência da evolução da economia capitalista. Como um grupo sério e fiel ao seu chefe aconselha-o a tomar tais decisões tão absurdas e descabidas?

Depois da morte de Samora Machel, quase todos os membros do bureau político da Frelimo da era comunista e velhos colegas de Samora, assaltaram os bancos, espoliaram as empresas do Estado, tomando-as para si e seus parentes, implantando no País um capitalismo selvagem onde apenas eles aparecem como empresários de sucesso, formando-se à custa da influência do poder político que detêm, assim nasce uma classe de ricos com muito dinheiro de um lado e de outro está o povo que vive na mais absoluta miséria.

Esses ricos nascem das gritantes fraudes económicas como é o caso do ex-BCM e que indivíduos bem determinados, ligados ao poder, simularam roubo e o estado, apressadamente, o repõe e mais tarde aparecem engalanados com um novo banco-BIM e seus executores em vez de serem penalizados, foram, escandalosamente promovidos! Conhecemos os devedores do Banco Austral que com o dinheiro retirado em forma de dívida construíram mansões, compraram carros de luxo, fizeram empresas e a tentativa de cobrança custou a vida a António Siba-Siba Macuácua.

Porém, os mesmos espoliadores do erário público declaram, publicamente, que se enriqueceram à base de uma criação de patos e de boca cheia vangloriam-se da sua imaginação e apelam aos pobres para não terem medo de ficarem ricos e seguir-lhes o exemplo da criação das aves para também se tornarem ricos como eles hoje o são. Se a teoria da criação de patos fosse verdadeira a maior parte dos moçambicanos será rica e ninguém estaria hoje a viver debaixo da linha limite da pobreza absoluta e nem precisaríamos do famigerado programa PARPA, que não passa de uma mentira e diversão dos pobres.

O grupo de Chissano aconselhou Samora Machel a adoptar o socialismo, a criar aldeias comunais, a instituir lojas do povo, forçar as pessoas a trabalharem em machambas do povo, a introduzir guias de marcha para as pessoas poderem se movimentar, a sonhar com a construção da suposta cidade de Unango. Foram eles mesmos que conceberam e levaram a acabo a famigerada «operação produção» que desterrou muitos cidadãos deste país.

A grande parte dos desterrados nunca mais voltou para os seus lugares de origem, tendo acabado nas bocas dos leões e outros animais ferozes. Outros ainda sucumbiram de fome nas extensas matas do Niassa, Cabo delgado e Nampula. O cérebro desta macabra operação, Armando Guebuza, hoje apresenta-se às suas vítimas como candidato a presidente da República, pedindo-lhes votos e prometendo-lhes um futuro melhor que ele próprio pontapeou, esmagou, desprezou e escangalhou.

Em Dezembro de 1975, rebentou a primeira tentativa de golpe do estado contra a Samora Machel, partindo do quartel de Boane, devido ao desprezo que vinham praticando em relação aos combatentes da luta de libertação nacional, chamando-os javalis.

Alberto Chipande, então ministro da Defesa, traiu os revoltosos, pois que após esses terem tomado os paióis, simulou também ser revoltoso, apelando a tréguas para permitir aproximar-se, acompanhado de forças fiéis a Samora Machel, fim de desferirem um golpe fatal contra ao regime. Isso dito em língua makonde, inspirou confiança nos revoltosos. Aproximou-se junto deles, desarmando, capturando-os e conduzidos à prisão onde continuam sem julgamento. Muitos deles de lá desapareceram para sempre sem nunca terem sido julgados por nenhum tribunal instituído.

Francisco Langa, então chefe do departamento de transportes no Ministério de defesa Nacional e membro do CC da Frelimo, foi vítimas de falsas acusações e de torturas psicológicas, acabando por suicidar-se por meio de uma pistola, na sua própria residência.

Fernandes Baptista, com patente de coronel e chefe da direcção de reconhecimento no estado Maior General das Forças Armadas, agente de segurança pessoal do presidente Samora Machel desde longa data, foi acusado, secretamente, pelos extremistas de ser um indivíduo perigoso para a nação. Foi preso juntamente com o coronel Jossias Rensamo Dhlakama, chefe da direcção dos auto blindados, acusado, em comício popular, de instruir motoristas militares para acidentarem carros civis. Ambos desapareceram para sempre, sem deixar nenhum rasto nas cadeias da Frelimo.

Hoje, Armando Guebuza, pede aos familiares das suas vítimas que votem nele antes de a Frelimo indicar onde os seus entes foram enterrados para poderem realizar um funeral condigno, dentro do espírito de reconciliação nacional de que tanto andam a falar.

O signatário deste artigo foi chefe do departamento de contabilidade do Ministério da Defesa nacional, com outros chefes que o antecederam forma presos e desafectados do exército, acusados de corrupção sem provas em juízo. Foi conduzido para Sitatonga II a fim de ser fuzilado durante os combates.

A nível externo, o grupo de Chissano traçou uma estratégia que consistia em expulsar os agentes económicos e colonos que poderiam garantir a estabilidade económica, desencadeando a famigerada operação 24/20 a fim de provocar fome e consequentemente descontentamento popular.

Em 1977, Samora já governava o país com a mão de ferro. Não havia comida suficiente no mercado e tentava suavizar as longas bichas como se fosse a «organização dum povo disciplinado». Por um lado, a guerrilha da Renamo não escolhia seus alvos, queimava carros civis confundindo-os com blindados das FPLM, queimava palhotas da população, confundindo-as com casernas do exercito; mulheres, crianças, velhos, eram emboscados e mortos, confundidos com a tropa da Frelimo.

Este tipo de guerra provocou muitos deslocados que foram para as cidades e vilas à procura de abrigo. A estratégia em jogo era provocar o descontentamento, despopularizar a figura de Samora Machel, e sentenciá-lo como o maior culpado pela falta de produtos para o abastecimento das populações e acelerar a sua queda do poder – a velha teoria de separar o peixe da água.

Logo após a independência, assistiu-se a expulsão massiva daqueles colonos que batiam com o pé no chão jurando que amais abandonariam Moçambique, durante o governo de transição, queriam permanecer em Moçambique tal como os portugueses o fizeram na história do Brasil. A expulsão dos colonos visava reforçar o movimento da guerrilha anti-Samora Machel na Rodésia do Sul e Portugal assim como no resto dos países que deram retaguarda à Renamo.

Diziam a Samora que os ex-colonos eram perigosos para a política da economia socialista e de revolução, assim, Samora imbuído de espirito de confiança com os seus camaradas exarava despachos desastrosos favoráveis as desígnio dos seus opositores internos.


Candidato à Presidência da República (Moçambique)




domingo, março 07, 2004

África... 

Não há dúvida de que o atentado de 11 de Setembro, demonstrou, de forma trágica, que ante as atrocidades dos radicais, todos nos encontramos inermes. Tanto mais os Americanos, que, convencidos do seu poderio, jamais conjecturaram tal possibilidade. Pois bem, ela verificou-se e da forma mais dramática.
Confrontados com tal situação, decidiram acautelar-se. É legítimo que, feridos no seu orgulho e em luto pelos acontecimentos vividos, tenham apostado na defesa dos seus territórios.
Acontece que, nem sempre o têm feito com lisura e respeito pelos direitos alheios. Mais grave: são muitas as situações em que, além do mais, demonstram ser ingénuos e até um pouco asnais.

Em Harare, um cidadão Zimbabweano dirigiu-se à embaixada Americana e requereu um visto de turista. Uma vez que o controlo de atribuição destas licenças é muito aturado e feito de forma centralizada, há que aguardar alguns dias até haver uma decisão final. Entretanto, aquando do preenchimento dos formulários necessários, existe ainda obrigatoriedade de preencher um pequeno questionário. Dentre várias perguntas, questiona-se: “Pertence a alguma organização terrorista?”. Ora, o requerente, estupefacto com a questão e, provavelmente, pouco ciente da solenidade que os Americanos dão a estas coisas, respondeu com um rotundo “Sim!”. Passados alguns dias, o visado recebe uma chamada da Embaixada Americana. Do outro lado da linha, uma voz extremamente afável questiona simpaticamente:

- Bom dia. No inquérito que preencheu por forma a visitar o nosso país, afirmou pertencer a uma organização terrorista. Por favor, gostariamos de saber qual...

Obviamente, o requerente, incrédulo, desata a rir. Mais uma vez, do outro lado e num tom cada vez mais irritado:

- Não se ria! Isto é muito sério! Olhe que vamos indeferir o pedido...

Ora, o requerente tentou acalmar a senhora, explicando-lhe que não era terrorista e que apenas tinha respondido daquela forma pois pensou que a questão não era relevante, assumindo que não a tinha levado muito a sério. Pediu desculpa e garantiu acreditar que, certamente, nenhum terrorista iria reconhecer tal qualidade. Daí, a sua despreocupação no preenchimento do formulário e a sua incredulidade ao receber tal telefonema. A senhora da embaixada, ofendida com tal conduta, prontamente se recusou a receber tais desculpas e asseverou que a falta de respeito e veracidade demonstrada lhe iria custar o visto de turismo, desligando de seguida...

A talho de foice, diga-se que o sujeito conseguiu o visto, mas não sem antes ter sido solenemente interrogado pelas altas instâncias da Embaixada, tendo, inclusivé, assinado uma declaração ajuramentada, com assinatura reconhecida, anulando a sua anterior “brincadeira” e retratando-se, formalmente, pelo sucedido.


Não só os Americanos não são a reserva moral do ocidente, como não têm o monopólio do receio dos radicais, pelo que não temos de os considerar “os coitadinhos” e aceitar todas as alarvidades que cometem. Elencá-se-mos nós as atrocidades dos últimos tempos e, por certo, no “deve e haver”, os Estados Unidos não teriam de se queixar...

Enfim, não só a pergunta é estúpida, como toda a actuação subsequente. Assim, exorto todos os leitores a dirigirem-se às Embaixadas Americanas, requererem o visto e, claro, afirmarem pertencer a uma organização terrorista. Talvez assim os Americanos percebam o ridículo em que os seus receios os fizeram cair...



terça-feira, fevereiro 17, 2004

Mais uma vez... os EUA 

Há que dar valor a quem o tem! A capacidade inventiva dos Americanos não deixa de me surpreender. Quando pensamos que ”agora é que é, os gajos vão dar o braço a torcer...”, eis que, num assomo de coragem e capacidade inventiva, aparecem com argumentos irrebatíveis (por serem tao nescios que impedem qualquer contra argumentacao...).

Como é do conhecimento público, os Estado Unidenses mantêm aprisionados, em Guantanamo, vários elementos de etnia Muçulmana. Ora, a comunidade Internacional (não toda, apenas a camada razoável e objectiva), resolveu criticá-los por manterem os ditos sujeitos prisioneiros, durante tanto tempo e sem acusação formada.

[Serve esta inflexão para referir que, nem a legislação Americana permite que cidadãos, estrangeiros ou nacionais, sejam aprisionados durante – pasme-se – mais de 2 anos.]

As mais altas instâncias Americanas apressaram-se a explicar, repita-se, de forma inventiva, o porquê de tal conduta. Segundo essas iluminárias, tais prisioneiros são demasiado perigosos e cometeram um crime atroz e que ofendeu todo o mundo ocidental. Como tal, devem ser alvo de medidas excepcionais, ainda que tais medidas ofendam os mais básicos princípios jurídicos, morais e humanos... do mundo ocidental.

Não sei se é só nos filmes Americanos, mas, ao que contam, existe nos EUA um principio de “presunção de inocência”. Os prisioneiros não foram julgados, aliás, ainda nem sequer foram formalmente acusados do que quer que seja, mas, os mais altos dignatários da nação do “hamburguer”, entendem que os muçulmanos estão presos, repito, porque cometeram um crime atroz.

É caso para dizer: “estão a cagar na presunção de inocência”...

Se há provas do envolvimento dos sobreditos em actos terroristas, acusem e julguem! Mas, claro, os Americanos, não sei se por serem sub se sobredotados, preferem a via mais complicada, a via mais controversa, em suma, a via ilegal.

Como podem dizer que os sujeitos estão presos porque cometeram actos criminosos, se ainda não os acusaram dos actos que lhes imputam? Provavelmente, se não o fizeram em dois anos, é porque não têm provas...



terça-feira, janeiro 27, 2004

Estorias 

Moçambique é, claramente, um país muito particular. Sempre foi e sempre será. Senão, reparemos nas duas estórias que seguem...


GIRAFAS

Por volta de 1972/73, o Parque Nacional da Gorongosa (situado na antiga província da Beira, actual província de Sofala, no centro de Moçambique), a braços com a necessidade de aumentar o número de girafas, decidiu encomendar alguns desses animais à antiga Rodésia do Sul (actual Zimbabwe).

Sallisbury (agora, Harare), capital da Rodésia, dista da Beira cerca de 500 quilómetros, passando por cidades como Manica e Vila Pery (actual Chimoio).

Ao encarregado do transporte das girafas foi-lhe facultado um camião de caixa aberta. O sujeito (um moçambicano típico), colocou os animais na parte de trás do camião, sendo que os ditos ultrapassavam claramente a altura da cabine do condutor. Posto isto, iniciou o seu trajecto de regresso. Acontece que, já em território Moçambicano, sensivelmente a meio caminho entre Manica e Vila Pery, existe uma pequena ponte de cimento. Enfim, a ponte ainda existe e não tem qualquer efeito prático. Na realidade, não serve para que os carros ou transeuntes passem no seu cimo. O seu objectivo precípuo é apenas o de publicitar a província e um ou outro produto provincial.

O moçambicano, de pé a fundo, avançava temerário pela savana Africana, até que, ouviu e sentiu um barulho bastante intenso, que, inclusivé, lhe descontrolou o camião. Após o pequeno incidente, o restante caminho decorreu consideravelmente bem, sem sobressaltos de maior.

Chegado à Beira, qual não é a surpresa dos administradores da Gorongosa, ao constatarem que todas as girafas, de língua de fora, tinham o pescoço partido! Acto contínuo, as atenções voltaram-se para o transportador, que, no entanto, não conseguiu explicar o sucedido.

Efectivamente, como é bom de ver, o sujeito não pensou sequer que as girafas pudessem ultrapassar a altura da ponte e, mesmo de pois de ter sentido um forte embate, não se apercebeu do que havia acontecido, pelo que ainda percorreu cerca de 250 quilómetros com 4 girafas mortas na caixa do seu camião...


CONVITE PARA JANTAR

Não é há muitos anos que vivo em África, mas são já os suficientes para saber que os Moçambicanos herdaram algumas das características dos Portugueses e aprimoraram-nas, para o bem e para o mal...

Há alguns meses atrás, surgiu um diferendo entre guardas fronteiriços de Moçambique com um país vizinho. Não se sabe muito bem como começou, apenas se sabe que cada um dos guardas em causa (de um lado e do outro), adoptou como sua a causa que os opunha aos estrangeiros. A refrega recrudesceu, chegando a haver uma acesa troca de tiros, felizmente, sem vítimas mortais (fazemos aqui uma pequena inflexão, para referir que, não obstante serem funcionários estatais, o desentendimento em causa era puramente pessoal, nunca tendo estado em causa as relações diplomáticas das nações envolvidas, que, até há bem pouco tempo, desconheciam as confrontações).

Foi então que, numa altura em que o conflito já alastrava às próprias cidades fronteiriças, a facção Moçambicana decidiu convidar o lado vizinho para um jantar de apaziguamento. Assim foi. Os estrangeiros aceitaram e, no dia aprazado, dirigiram-se para a cidade Moçambicana. Ao que consta, o jantar correu maravilhosamente, sendo que, aparentemente, o convívio decorreu verdadeiramente pacificador.

Após o jantar, estando os estrangeiros a saborear um digestivo e a fumar o cigarrito da ordem, foi-lhes amavelmente perguntado se possuíam visto de entrada em Moçambique. Obviamente, os visados apressaram-se a esclarecer que não o tinham, porquanto haviam sido convidados pelos guardas Moçambicanos e, no seu entender, não se justificava tal prática, pois que a autorização estava subentendida. De nada lhes valeu. Todos os guardas fronteiriços estrangeiros foram colocados na cadeia...


Primeiro, veio o convite; depois, o faustoso jantar; por fim, a cadeia. Àparte o atropelo às mais básicas regras de urbanismo e lisura de comportamentos, digam-me: não haverá em tudo isto uma certa irónica malícia, tão típica dos Portugueses?

quinta-feira, janeiro 15, 2004

Até já. 

Perdoem-me pelo tom mais sentimental, mas não imagino outro que se possa adequar às alturas de mudança, principalmente, quando deixamos (ainda que temporariamente) uma terra apaixonante, regada por tantos e tão bons amigos. Perdoem-me, por isso, este momento de saudável loucura... É ao som de Carla Bruni e na companhia de bons amigos que venho por este meio dizer um "até já". O Vondo cresce e vamos ter enviados especiais no Zimbabwe... Chegou a altura de agradecer a todos quantos nos têm acompanhado: poucos mas bons! O nosso blogue nasceu em Moçambique. Nada mudará! Tentaremos continuar a falar de Portugal e de Moçambique, acrescente-se, a partir de segunda-feira, notícias de Harare...

Só espero que o Mugabe não me limpe o sebo...


Já agora, perdoem-me, novamente, a pieguice, mas aqui vai um brilhante poema de alguém que sabe, como ninguém, retratar a nossa mundana e apaixonante vida...

Este é para vós, oh dilectos amigos do Vondo!


Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.


Fernado Pessoa.

quinta-feira, janeiro 08, 2004

Não há nada como prestar atenção no que dizem os entendidos... 

Este foi o comentário deixado por Graça Machel, viúva de Samora
Machel, e actualmente casada com Nelson Mandela, no casamento da
filha de Eduardo dos Santos, em Luanda:

"E ainda há quem diga que África é só desgraças, deslocados de
guerra, esfomeados, afectados e crianças mal-nutridas. Não vi nada
disso durante o casamento da Tchizé, nem no Futungo de Belas nem na
Cidade Alta. Há muita inveja entre certas camadas das sociedades
ocidentais, especialmentes da parte dos saudosistas que perderam
privilégios quando o povo passou a estar no poder." - Graça Machel



Sim, é verdade que a Tchizé não passou fome...

Já agora, quem são os saudosistas que refere a personagem? Partindo do pressuposto que se refere aos Portugueses, penso que não faz qualquer sentido, pois que, actualmente, pouco se fala de África em Portugal. Melhor: Portugal não fala mais de África do que qualquer outro país Europeu. E mais: se o faz, é porque tem consciência das necessidades do continente Africano (mas, claro, no casamento da Tchizé tudo foi do melhor...). No entanto, se o que diz é verdade (e deve ser, já que vive precisamente em África; bom, nem sempre aí vive! Não perde uma oportunidade de vir à Europa pavonear a riqueza alcançada à custa do sofrimento desse povo que tão bem conhece...), o Vondo tem a solução: Povos Ocidentais, paremos de enviar fundos estruturais, conjunturais ou o raio que os parta! Se, como refere a dama, África se revê no casamento da Tchizé, então é porque são organizados, sérios e responsáveis... Aliás, como ela própria...


P.S.: só para avivar a memória: muitos dos actuais críticos das políticas e corrupção Africana (e não quero com isto dizer que seriam mais sérios que os sucessores...), foram homens que se bateram ideológica e politicamente ao lado do seu falecido marido e, hoje, criticam abertamente aqueles que mais beneficiaram com a morte de Samora (enfim e sem tibiezas, os homens do poder económico e político em Moçambique!). Mas, claro, isso já lá vai e a memória é curta...


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